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19 de abril de 2020
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O Coronavírus pode ser um Cisne Negro

Em 2018 fui convidado para ministrar um curso sobre planejamento estratégico na Comunicação, para Ong´s (hoje OSC´s). Na época comecei a fazer minhas pesquisas, a fim de preparar um curso de qualidade e, com fatos atuais e pertinentes ao tema. Nesta época existia a doença da Febre Amarela, e o zoológico da cidade de São Paulo, estava fechado.

Um dos macacos foi encontrado morto e, após testes e exames de sangue, constatou que estava com o vírus da febre amarela, sabemos que é transmitido pelo Aedes aegypti. Existia uma cobertura da imprensa, mas não com tanta frequência como agora com o Covid19, o número de mortos na época, não me recordo exatamente, mas lembro que dezenas de pessoas haviam morrido. Para preparar o slide da aula, pesquisei detalhes da Febre Amarela, tais como, mata menos de 15 mil pessoas por ano no Brasil, pode ser evitado, mas o tratamento ajuda, mas não tem cura etc.

Mas, voltando para meu curso para as OSC´s, eu foquei na Gestão da Comunicação e na importância de se ouvir diversos atores envolvidos com uma OSC´s. Foi neste momento que fiz a pergunta para os participantes do curso:

Quem, que são gestores de suas instituições, colocaria na análise do planejamento estratégico e de comunicação, uma análise SWOT de um mosquito? Claro que obtive como resposta um sonoro! Ninguém!

Então, expliquei o porquê de meu questionamento, eu havia acabado de ler o livro, “Antifrágil, de Talleb” e, o Cisne Negro do mesmo autor. E tentei discorrer sobre a importância de termos um olhar criativo sobre a gestão de nossas instituições. Na época 2 gestores me procuraram para saber mais sobre o tema, do mosquito, e prontamente sugeri uma vasta literatura e alguns artigos, que tivesse como referência a gestão do caos, o inesperado, algo que pode acontecer, mas enquanto não acontece, não conseguimos identificar. Mas quando acontece conseguimos criar teorias e explicações malabaristas.

Após 2 anos deste curso, assisto ao mundo entrando em guerra com um vírus que tem o poder de destruir financeiramente e psicologicamente nossa sociedade. Vejo paises criando estratégia de guerra para combater tão feroz e invisível” inimigo”. Vejo alguns criando ações comunitárias e outros criando um estoque particular, de alimentos, álcool gel, sabão e não sei mais o que! Vejo o assunto ser comentado em todas as redes sociais e, vejo também um presidente remediar seu gesto em manifestações populares, levando uma mensagem subliminar que tudo está sobre controle??????????????

Vejo após alguns dias o governo detalhar em cadeia nacional, mesmo que tardia, ações de enfrentamento ao coronaviurs. Eu pensei que Nunca Mais, veria tamanha falta de criatividade por parte de instituições sociais e federais para resolverem ou amenizarem esta ameaça viral, que agora, enquanto escrevo este artigo, está fazendo centenas de vítimas fatais no mundo. Eu pensava que Nunca Mais, Nunca Mais, nunca mais. Assistiria algo parecido a aquele momento da febre Amarela. Errei! Ainda tinha muito mais por vir…

E aprendi, com Jeff Sutherland, que devemos ir consertando o avião enquanto está voando. E no livro de Talleb, Antifrágil, no capítulo 10-As vantagens e as desvantagens de Sêneca, o filósofo estoico diz que devemos estar atentos a assimetria fundamental das coisas, buscar a volatilidade nos negócios, de forma que tenhamos uma reserva financeira, assim conseguimos mudar a direção da rota sem maiores perdas.

Mas principalmente vejo que, Nassim Nicholas Taleb, sempre esteve certo aos grandes acontecimentos que são inesperados e que trazem junto grandes consequências, tanto para o bem quanto para o mal.

Eu termino este artigo lembrando de um trecho do poema de Edgar Allan Poe, “O Corvo”, na tradução para o português, “que sentado na cabeça da sabedoria, este Corvo repete sem parar, “NUNCA MAIS, NUNCA MAIS..

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