Estou falando de BitCoin e BlockChain
Tempos de dinheiro curto. Com poucas moedas no bolso, passei outro fim de semana assistindo Netflix, com pipoca e Coca-Cola zero. Um documentário sobre a criptomoeda – BITCOINS –, seu surgimento, o conceito por trás da descentralização do seu controle e o mistério sobre seu criador, Satoshi Nakamoto, que não se sabe se é uma pessoa ou um grupo de desenvolvedores de software, criadores de códigos fontes. Bom, mistérios à parte, vou pegar este conceito disruptivo no setor fiduciário para falar de alguns devaneios de minha infância, do que eu sabia de estabilidade financeira.
Cresci ouvindo o meu pai dizendo que ter uma boa poupança, investir em uma casa e um bom carro, trabalhar em uma empresa pelo máximo de tempo possível e se aposentar bem cedo, com 42 anos, seria ter vivido uma vida plena e com garantias.
Assim, vivi até os meus 20 anos, com toda a certeza do mundo de que minha formação de fresador no SENAI me daria este pré-paraíso, antes do meu dia D.
Mas alguma coisa aconteceu que mudou toda a rota. Meu irmão mais novo me apresentou a música, conheci o mundo do MMN (Marketing Multinível) e decidi que seria vendedor. Fui fazer diversos cursos de vendas, entrei na indústria farmacêutica e depois fiz faculdade de Comunicação Social.
Hoje, depois de 25 anos, percebo que tudo aquilo que meu pai disse foi real para ele. Pois vivemos em época VUCA (Volátil, Ambígua, Complexo e Incerta). Tudo parece líquido. É um fluxo de tudo o que nos cerca.
De tudo que meu pai sugeriu, nem os maiores gurus sobre previsões, no entanto, conseguiriam pensar em algo que mudaria radicalmente o sistema fiduciário mundial. Estou falando de BITCOINS – criptomoeda ou moeda digital. Ainda por falta de entendimento, não temos a certeza sobre como nomear esta ferramenta de movimentação financeira.
Estudando o e-book “BITCOINS – COMECE POR AQUI”, do autor Vinicius Bazan, comecei a entender melhor o que é esta “moeda” digital. E ela tem algumas características que representam muito o nosso tempo. E talvez tenhamos dificuldades de aceitar o que é novo. As características são:
1 – VOLATILIDADE
Temos crises de moral ética e valores, entre pessoas e, consequentemente, entre instituições, já que são pessoas que fazem gestão das instituições. Assim, as mudanças são rápidas, voláteis e efêmeras.
2 – INCERTEZA
As pessoas vão questionar: este treco não existe no mundo real? Aí, você, que estudou um pouquinho sobre BITCOIN, irá responder: Pois é, este é o ponto. É uma nova perspectiva, até contraditória. O futuro pode repetir o passado!?!?
3 – COMPLEXIDADE
Tentar simplificar o funcionamento do BITCOIN ou explicar o que é BLOCKCHAIN, não tem nada de simples. A sua conta bancária agora pode ser chamada de carteira, o seu real pode ser chamado de BITCOIN e sua TED passa a se chamar BLOCKCHAIN.
4 – AMBIGUIDADE
Como tudo é novo neste universo de criptomoedas, às vezes pode parecer que servirá para fomento de guerras e atrocidades. Por outro lado, que estaremos livres para decidir e como iremos decidir o sistema fiduciário mundial. Cada habitante será seu próprio banco. Acredito que nem Muhammad Yunus, ganhador do Nobel da Paz em 2006, tenha imaginado tamanha revolução em nosso sistema financeiro.
Tudo parece bom e mal ao mesmo tempo. O ponto de vista pode estar equivocado. A referência pode omitir todas as informações. São tempos líquidos, dizia Zygmunt Bauman.
Sem pretensão alguma de querer esgotar este assunto, deixo aqui minha reflexão e convite aos meus queridos leitores. Buscar mais informações às vezes pode ser longo e mais complicado. Que tal separar uma parte de seu dinheiro e abrir uma carteira incloud de BITCOINS e subir no trem da história?
*Marcelo Dias é Gestor de Comunicação